terça-feira, 6 de maio de 2008

Anarquismo, Caos e Salvação


Oi gente!

Bem, o tema a ser discutido hoje é o Anarquismo. Seria bom para o Brasil?

Comunismo, Socialismo e Anarquismo...Entrevistei Vinícius hoje sobre o assunto e então o resultado está abaixo :

Pulga -
1 –Vocês(anarquistas) acham que a Maconha e outras drogas poderiam ser vendidas? Por quê?


Vinicius
1 –Vocês(anarquistas) acham que a Maconha e outras drogas poderiam ser vendidas? Por quê?

Essa pergunta, do jeito que está feita, pressupõe um monte de "erros", ou, pelo menos, de "mau entendidos". Você está perguntando se "a maconha e outras drogas poderiam ser vendidas na anarquia ou hoje em dia"?
1) Se for na anarquia, no meu modo de ver, não. Pois a anarquia é amonetarista, logo, não haveria compra ou venda. Mas haveria sim consumo de maconha e outras drogas.
2) Se for hoje em dia, sim. Cada um deve ser responsável por si mesmo. Mais ainda: qualquer estudo científico sério e livre de dogmáticas moralistas irá mostrar a mesma coisa: liberar a venda de drogas para empresas sérias é benéfico a toda a sociedade. Quem consome drogas hoje em dia sofre punições muito leves, não vai sequer preso: só leva uma bronca do juiz e presta trabalhos comunitários. Isso, por si só, já estimula o tráfico, pois o cara que usa drogas não vai se sentir "coagido" a deixar de usar... E, mais ainda, quem quiser sabe onde compra, quanto paga, quanto leva, quem vende, etc... Logo, a droga é liberada sim no Brasil, sendo que de forma "branca", ou seja, mascarada e hipócrita, o que é prejudicial, pois dá margem ao crime organizado se apossar do seu comércio.


Pulga -
Me referia num modo geral, mas sua resposta já nos mostrou sua opinião

2 - O Comunismo não seria uma boa ideia para o Brasil também?


Vinicius
2 - O Comunismo não seria uma boa ideia para o Brasil também?

Vou responder isso com um trecho de um comentário de Michel Foucault, pensador francês que viveu no século passado, o nome do livro é Microfísica do Poder, é, na verdade, uma série de entrevistas e artigos desse autor, feito, se não me engano, depois de sua morte... O nome da entrevista é "O Poder-corpo"... vou colocar apenas uma resposta dele, que se encaixa perfeitamente na pergunta..."Realmente, os movimentos revolucionários marxistas ou influenciados pelo marxismo, a partir do final do século XIX, privilegiaram o aparelho de Estado como alvo da luta. A que foi que isto levou? Para poder lutar contra um Estado que não é apenas um governo, é preciso que o movimento revolucionário se atribua o equivalente em termos de forças político−militares, que ele se constitua, portanto, como partido, organizado – interiormente − como um aparelho de Estado, com os mesmos mecanismos de disciplina, as mesmas hierarquias, a mesma organização de poderes. Esta conseqüência é grave. Em segundo lugar, a tomada do aparelho de Estado − esta foi uma grande discussão no interior do próprio marxismo − deve ser considerada como uma simples ocupação com modificações eventuais ou deve ser a ocasião de sua destruição? Você sabe como finalmente se resolveu este problema: é preciso minar o aparelho, mas não completamente, já que quando a ditadura do proletariado se estabelecer, a luta de classes não estará, por conseguinte, terminada... E preciso, portanto, que o aparelho de Estado esteja suficientemente intacto para que se possa utilizá−lo contra os inimigos de classe. Chegamos à segunda conseqüência: o aparelho de Estado deve ser mantido, pelo menos até um certo ponto, durante a ditadura do proletariado. Finalmente, terceira conseqüência: para fazer funcionar estes aparelhos de Estado que serão ocupados mas não destruídos, convém apelar para os técnicos e os especialistas. E, para isto, utiliza−se a antiga classe familiarizada com o aparelho, isto é, a burguesia. (...)

Eis, sem dúvida, o que se passou na U.R.S.S. Eu não estou querendo dizer que o aparelho de Estado não seja importante, mas me parece que, entre todas as condições que se deve reunir para não recomeçar a experiência soviética, para que o processo revolucionário não seja interrompido, uma das primeiras coisas a compreender é que o poder não está localizado no aparelho de Estado e que nada mudará na sociedade se os mecanismos de poder que funcionam fora, abaixo, ao lado dos aparelhos de Estado a um nível muito mais elementar, quotidiano, não forem modificados."Trocando em miudos: somos contra o Estado e não (somente contra) o capitalismo. Todo aparelho de poder Estatal é opressor, tirânico e deve ser destruído. Seja esse Estado capitalista, comunista, "deísta", etc...

Pulga -

Ok...Vamos a próxima pergunta :

3 - Entendemos sobre a parte do Anarquismo não ter governo, que as pessoas obteriam outras coisas por meio de trocas... Mas como não teria um governo, não poderia reinar um "caos" na sociedade? Como vemos, em alguns lugares onde a "LEI" não predomina, existem certos grupos - por sua vez armados - que tentam mandar no local. Isso não seria ruim para o País? Pois não teriamos governo, porém, teriamos medo dos mais fortes...


Vinicius
3 - Entendemos sobre a parte do Anarquismo não ter governo, que as pessoas obteriam outras coisas por meio de trocas... Mas como não teria um governo, não poderia reinar um "caos" na sociedade? Como vemos, em alguns lugares onde a "LEI" não predomina, existem certos grupos - por sua vez armados - que tentam mandar no local. Isso não seria ruim para o País? Pois não teriamos governo, porém, teriamos medo dos mais fortes...

Caos é o que vivemos hoje, não é só em lugares onde a "lei" não predomina que existem "arbitrariedades" (como disse você). Ora, a própria lei é arbitraria e o próprio Estado é, justamente, isto que você chamou de "grupo armado" que, não tenta, mas MANDA num local definido arbitrariamente (pois ninguém perguntou a mim ou a você se queremos pertencer ao Estado... ou perguntou?). O Estado é um LADRÃO, por si só, porque eu tenho que dar parte do meu trabalho para o Estado? Sem falar que ele, com sua bur(r)ocracia não me devolve meus impostos... O Estado é apenas um conglomerado de instituições ILEGÍTIMAS que abrigam parasitas... E nada mais.A anarquia vem justamente para acabar com o Estado (logo, como governos e também com países) e dá ao homem uma prespectiva não mais de brasileiro, argentino ou uruguaio, mas de cidadão do mundo... E as organizações humanas não mais seriam baseadas em aparelhos verticais de poder, mas, sim, no livre acordo entre as pesssoas para trabalhar e viver sem interferências arbitrárias. As organizações se dariam em pequenos núcleos, chamados federações, mais ou menos do tamanho de um bairro, onde todos iriam participar direta e ativamente de todas as decisões que implicassem na coletividade.


Créditos a Vinícios

Um comentário:

Ani Cristina Bariquello disse...

Nossa, eu estava zanzando pela comunidade e em dos tópicos eu precisava dizer se você deveria postar mais ou deletar o blog!

Resolvi comentar aqui, é um elogio, na real, gostei muito do objetivo do seu blog, legal encontrar coisas assim, "preocupada".

As pessoas usam blogs ou como diários, ou como fonte de humor, sei lá, acho que pode ser um instrumento melhor explorado.

Parabéns.

=*